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Análises, colunas e pontos de vista editoriais
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Amigos, digo e repito: o pior canalha não é o canalha. É o covarde. E o pior covarde não é o que assume. É o que se chama de prudente. Crônica sobre o vício mais bem-vestido da nossa época, escrita à sombra das mangueiras do Lago Sul, com a paciência de quem já viu este filme noutras décadas.
Amigos, digo e repito: toda unanimidade é burra. A novíssima caridade da grã-finagem do Lago Sul é a mais burra de todas, porque não é caridade coisa nenhuma — é exibicionismo moral. Crônica dos canalhas de escritório, dos intelectuais de Pilatos e do óbvio ululante que ninguém quer ver.
Crônica sobre a saudade que habita os apartamentos de cobertura da Asa Sul. Há um desejo curioso entre as classes mais altas do Distrito Federal — o de fugir para uma cidade pequena que ninguém sabe nomear. Ironia fina sobre o paradoxo de ter tudo e querer menos.
A história política guarda lugar especial para quem pagou o preço de medidas necessárias e impopulares. Um ensaio sobre virtù, fortuna e o esquecido valor da coragem administrativa.
Rubem Braga observa um jardim de superquadra que ninguém mais visita às terças-feiras à tarde — e descobre o que a cidade esqueceu de prestar atenção.
A liberdade de imprensa não é favor do poder, é condição da República. Ensaio sobre o magistrado que a preserva, sobre o que a fere e sobre o preço, sempre alto, de confundir a toga com a mordaça.
Não é o ato de votar que faz a República — é a confiança coletiva no apuramento. Ensaio sobre a auditabilidade como pilar invisível do sufrágio universal e sobre o porquê de quem ataca a verificação atacar, no fundo, o próprio princípio republicano.
Os números do Cadastro Nacional de Adoção do CNJ mostram um Distrito Federal em transformação silenciosa. Quem são as famílias que estão acolhendo — e o que a comunidade religiosa tem a ver com isso.
Do servidor federal ao morador do Entorno, do turista que chega pela primeira vez ao diplomata que embarca para Genebra, o Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek é o raro espaço em que todas as Brasílias se cruzam sem cerimônia.
Setenta e seis por cento dos moradores do Distrito Federal dizem amar morar em Brasília. Os mesmos setenta e seis por cento reclamam dela todos os dias. A contradição é tão antiga quanto a própria cidade — e provavelmente é a coisa mais brasiliense que existe.
Reparei, com aquela atenção meio ociosa das tardes de abril, que o morador desta cidade tem um passatempo predileto: reclamar dela. Reclama do calor, da distância, da grama seca, do concreto, do vizinho, do vento — e, sobretudo, do outro brasiliense, que invariavelmente é pior do que ele.
Ensaio histórico sobre um padrão recorrente nas democracias modernas: toda vez que um governo se empenha em enfraquecer a imprensa que o critica, o resultado tende a ser exatamente o oposto do desejado.