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1839–1908 · Política, sociedade, cultura brasileira
“Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.”
Autodidata — tipógrafo, revisor, jornalista, escritor
Ensaio sobre o desaparecimento de um gênero que durante um século foi a coluna vertebral do jornalismo brasileiro. Da última geração — Drummond, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos — para os bytes esquecidos das redações de hoje, um inventário melancólico e ligeiramente irônico.
Quatro décadas depois da primeira edição no Eixo Monumental, a Feira do Livro de Brasília chega a 2026 maior do que nunca, com 184 expositores, 412 mil visitantes esperados e a teimosia das páginas impressas em pleno reinado dos algoritmos.
Crônica sobre uma conversão súbita testemunhada nesta capital recentemente. Um homem público, conhecido pela altivez de muitos anos, apareceu na televisão chorando. Era humilde. Era contrito. Era um novo. A coincidência é que faltavam quarenta e oito horas para a posse. Notas sobre o calendário das almas.
Crônica sobre a antiga arte pela qual alguns homens públicos acordam, às vésperas do voto, comovidos com um bairro que atravessavam sem ver. A vaidade, leitor amigo, não envelhece — apenas muda de automóvel.
Crônica sobre a saudade que habita os apartamentos de cobertura da Asa Sul. Há um desejo curioso entre as classes mais altas do Distrito Federal — o de fugir para uma cidade pequena que ninguém sabe nomear. Ironia fina sobre o paradoxo de ter tudo e querer menos.
Dados recentes da Câmara Brasileira do Livro apontam crescimento inesperado no consumo de livros impressos no Distrito Federal. Livrarias independentes, clubes de assinatura e feiras voltaram a movimentar um mercado que há dez anos davam por moribundo. Crônica sobre a teimosia do papel.
Machado de Assis observa a cidade em que ninguém dá endereço com rua, apenas com letras, blocos e siglas que confundem visitantes há 66 anos.
Do servidor federal ao morador do Entorno, do turista que chega pela primeira vez ao diplomata que embarca para Genebra, o Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek é o raro espaço em que todas as Brasílias se cruzam sem cerimônia.
Setenta e seis por cento dos moradores do Distrito Federal dizem amar morar em Brasília. Os mesmos setenta e seis por cento reclamam dela todos os dias. A contradição é tão antiga quanto a própria cidade — e provavelmente é a coisa mais brasiliense que existe.
Reparei, com aquela atenção meio ociosa das tardes de abril, que o morador desta cidade tem um passatempo predileto: reclamar dela. Reclama do calor, da distância, da grama seca, do concreto, do vizinho, do vento — e, sobretudo, do outro brasiliense, que invariavelmente é pior do que ele.
Quarenta mil assessores parlamentares gastam, moram, comem e matriculam filhos em Brasília. Nenhuma fábrica gera tanto PIB no Distrito Federal quanto essa burocracia silenciosa.
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