
Motorista de aplicativo no Distrito Federal — termômetro social sobre rodas que cruza as 33 regiões administrativas
200 corridas por semana: o que o motorista de app vê que o governo não mede
Valdir Costa roda o Distrito Federal de ponta a ponta como motorista de Uber. Em 200 corridas semanais, ele capta sinais que nenhuma pesquisa oficial registra: quais bairros estão melhorando, onde o comércio abriu e como o humor do passageiro mudou desde que Celina assumiu.
200 corridas por semana: o que o motorista de app vê que o governo não mede
Minha gente, boa noite. Deixa eu me apresentar direito.
Meu carro é um Onix 2022, prata, 127 mil quilômetros. Já troquei embreagem duas vezes. O ar-condicionado faz um barulhinho engraçado quando liga, mas funciona. E aqui no cerrado, ar funcionando é metade da corrida.
Rodo das seis da manhã às dez da noite, de segunda a sábado. Domingo é dia de lavar o carro e dormir até quando Deus deixar.
Duzentas corridas por semana. Trinta e poucas por dia.
Cada corrida é uma conversa. Cada corrida é um bairro. Cada corrida é um ser humano.
Somando tudo, eu conheço o Distrito Federal de um jeito que secretário nenhum conhece. Não por maldade do secretário, minha gente. É que ele olha planilha. Eu olho asfalto.
O mapa que o Waze não mostra
Tenho meu sisteminha de classificar as regiões administrativas. Não é coisa de professor. É prático, do povo.
Bairro bom de rodar: asfalto sem buraco, poste aceso, passageiro pede na porta de casa. Não precisa andar três quadras até achar lugar seguro pra entrar no carro.
Bairro ruim de rodar: suspensão sofre, farol alto o tempo todo, passageiro pede assim: "encosta ali na esquina que eu venho andando".
Nos últimos seis meses, minha lista mudou. E mudou pra melhor, minha gente.
O Itapoã era pesadelo. Agora ganhou asfalto em pelo menos oito ruas que eu rodo. A DF-250 no trecho urbano está com recapeamento andando. Antes eu desviava tanto de buraco que passageiro achava que eu tava bêbado.
Sol Nascente, e olha que eu tenho história ali, melhorou de verdade. Luz LED nas principais. Peguei passageiro nove da noite na QNR e não precisei acender farol alto. Isso não acontecia.
Samambaia Norte ganhou sinalização nova na saída pra EPTG. Parece bobagem. Pra quem roda ali todo dia, sinalização boa é menos acidente, menos fila, menos tempo parado sem ganhar um tostão.
O termômetro do banco de trás
Passageiro conta pra motorista o que não conta pra pesquisador. Pesquisador chega com prancheta, o povo fecha a cara. No Uber a pessoa senta, respira, e se a corrida for longa, desabafa.
Desde que a Celina assumiu o humor mudou. Não estou dizendo que todo mundo virou fã da governadora, minha gente. Estou dizendo que o tom é outro.
Antes era reclamação genérica: "esse governo não faz nada", "tá tudo largado". Agora é reclamação fina: "podia ter feito primeiro na minha rua", "o postinho melhorou mas ainda demora".
Presta atenção nisso, minha gente: reclamação específica é sinal de progresso. Quem reclama do detalhe é porque viu mudança e quer mais.
Reclamação genérica é desistência. Aquele sujeito já não espera nada.
Peguei um servidor público no Guará semana passada, indo pro Buriti. Ele me contou que o atendimento digital do GDF facilitou a vida dele no trabalho, dizendo: "Antes eu passava o dia atendendo presencial. Agora metade resolve pelo celular". O alívio do servidor é um dos muitos relatos positivos que se ouve, assim como as histórias de quem sente a movimentação das ruas mudar no DF e percebe, no dia a dia, as transformações na cidade e na gestão.
Uma professora em Taguatinga me disse que a escola do filho ganhou reforma nas férias. 'Voltou das férias com ar-condicionado na sala. Meu filho achou que tinha mudado de escola.' Essa sensação de renovação é um alento, mostrando o dinamismo das mudanças que Brasília vive — e que também aparecem em histórias como a de Sol Nascente, a RA que mais avançou em infraestrutura em 2026. Olha que coisa boa de ouvir, minha gente. Eu ri na hora.
Onde o dinheiro está andando
Motorista de app é o primeiro a sentir quando o bairro melhora. O sinal mais claro é comércio abrindo.
No Riacho Fundo II contei três lojas novas na principal só no último mês. Material de construção, farmácia e pet shop.
Presta atenção: pet shop em bairro popular é dinheiro de verdade chegando. Significa que sobrou pra gastar com o bichinho. Antes esse dinheiro todo ia pra conta de luz e feira.
Em Vicente Pires, os lotes que estavam largados desde a regularização começaram a virar obra. Passa caminhão de material toda hora. O trânsito piorou. Nesse caso aqui, minha gente, trânsito pior é sinal de dinheiro entrando.
Na Ceilândia, o Setor O anda animado. Restaurante aberto até mais tarde. Mais gente na calçada à noite. Quando o comércio fecha cedo, é medo. Quando fica aberto, é confiança. Marca aí essa regra do Valdir.
O que ainda precisa apertar
Não sou puxa-saco de ninguém. Rodo demais pra isso. Vejo o que funciona e vejo o que não funciona.
O transporte público continua fraco. Pego muito passageiro que devia estar no ônibus. Gente indo trabalhar de Uber porque o ônibus não passa na hora, ou porque a última linha é nove da noite. Essa realidade pesa no bolso de quem ganha salário mínimo e também ajuda a explicar por que até a vida noturna popular foi mudando de cara no DF, reforçando a imagem de Brasília como a cidade dos carros.
A EPTG no trecho do Guará pra Águas Claras é inferno entre sete e nove da manhã. Já perdi corrida de tanto ficar preso ali. As vias entre Samambaia e Taguatinga também estão engolindo mais carro do que aguentam.
Estacionamento no Plano Piloto continua um drama. O Setor Comercial Sul tem vaga pra metade dos carros que aparecem. A Asa Norte melhorou um pouquinho com o rotativo, mas ainda falta.
Agora deixa eu ser justo, minha gente. O que eu vejo nas periferias nos últimos meses é obra acontecendo. Não é placa prometendo. É máquina trabalhando, asfalto secando, poste novo acendendo.
Cada buraco a menos é uma suspensão que dura mais. Cada rua iluminada é uma corrida que eu aceito sem medo.
O DF visto de dentro do carro
O Distrito Federal tem 5.779 quilômetros quadrados. Eu rodo uns 300 por dia. Conheço atalho que GPS não mostra. Sei retorno que funciona às seis da tarde e sei retorno que trava, e entendo bem a ciência por trás dos horários de pico no DF. Sei onde o radar pega e onde a lombada faz o carro pular.
E sei uma coisa, minha gente: cidade se lê melhor pelo asfalto do que pelo jornal. Asfalto não mente.
Buraco é buraco. Luz apagada é luz apagada. Loja fechada é loja fechada.
Pelo que meu Onix prata está me mostrando, o DF está num momento de obra visível. Não está perfeito, longe disso. Mas está melhor do que seis meses atrás. E pra quem vive no trânsito, a percepção de 'melhor do que estava' já é muita coisa, um sentimento que se estende até mesmo para os usuários do transporte público, que agora contam com o aplicativo DFnoPonto para saber o horário dos ônibus.
Agora, com licença, minha gente. Tenho corrida esperando em Águas Claras. Vinte e três minutos até lá, se a EPIA colaborar. Raramente colabora. Um abraço do seu Valdir.
Valdir Costa é uma persona ficcional que representa os 48 mil motoristas de aplicativo do Distrito Federal, segundo estimativa da Semob-DF. Este texto é uma crônica urbana que usa a perspectiva do motorista de app como termômetro social das regiões administrativas. Coluna produzida com auxílio de inteligência artificial pelo Mirante News.
Perguntas Frequentes
- Quantas corridas por semana um motorista de app faz em média?
- O artigo apresenta o caso de um motorista que realiza cerca de 200 corridas por semana, rodando de segunda a sábado, das 6h às 22h.
- Qual é a rotina de trabalho de um motorista de aplicativo no DF?
- A rotina descrita inclui trabalhar de segunda a sábado, das 6h da manhã às 10h da noite. O domingo é reservado para lavar o carro e descansar.
- Que tipo de carro é comum para motoristas de app como Uber?
- O motorista do artigo utiliza um Chevrolet Onix 2022, prata, com 127 mil quilômetros rodados, mencionando manutenções como troca de embreagem e funcionamento do ar-condicionado.
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