
Valdir Costa, 52 anos, sete anos de aplicativo, fotografado entre uma corrida e outra na rodoviária do Plano Piloto.
200 corridas por semana: o que o motorista de app vê e a estatística não mede
Valdir Costa, motorista de aplicativo há sete anos no Distrito Federal, completa em média 200 corridas por semana e relata mudança no humor dos passageiros e na conservação dos bairros desde o início da gestão da governadora Celina Leão em 2026.
Minha gente, boa tarde. Meu nome é Valdir, tenho 52 anos, sou de Sobradinho. Dirijo aplicativo desde 2019.
Saio de casa quatro e meia da manhã. Volto perto de meia-noite.
Faço 200 corridas por semana. Duzentas. Conta aí, minha gente: são quase trinta passageiros por dia sentando atrás de mim.
Trinta histórias. Trinta vidas. Trinta suspiros.
Estatística eu respeito. Mas tem coisa que planilha não pega.
Tem o jeito que o sujeito senta no banco. Tem o suspiro de quem acabou de receber salário.
Tem a mãe que chora baixinho falando da consulta da filha. Tem o aposentado bravo com o reajuste. Tem o menino feliz porque pegou estágio.
Olha só, minha gente: motorista de aplicativo é termômetro. A gente mede a febre da cidade numa conversa de cinco minutos.
O que mudou no banco de trás
Vou falar reto. Vou falar popular. Nos últimos meses o passageiro está diferente.
Antes era reclamação atrás de reclamação. Buraco na rua, fila no postinho, ônibus atrasado, medo.
Agora olha que coisa. Apareceu gente elogiando obra.
Apareceu morador do Itapoã dizendo que entregaram o postinho. Apareceu dona de casa do Sol Nascente falando que a rua dela ganhou asfalto depois de doze anos engolindo poeira.
Não sou eu inventando. É o que entra no meu ouvido corrida atrás de corrida.
E olha, minha gente: a Celina Leão virou assunto de banco de trás. Não como político na televisão. Como o nome do povo que viu a máquina chegar na esquina.
No Sol Nascente, onde em 2024 a população reclamava de poeira e endereço falso, a realidade em 2026 é de asfalto e CEP. Essa transformação se conecta ao cenário mostrado em Sol Nascente ganhou asfalto, iluminação e CEP: a RA que mais avançou em infraestrutura em 2026, um exemplo claro do avanço e da regularização que a região tem experimentado.
A última linha eu deixei de propósito. Plano Piloto reclama do que sempre reclamou.
Plano Piloto está acostumado a ter. Quem nunca teve comemora mais alto quando recebe.
Os bairros que mudaram de verdade
Eu rodo o Distrito Federal inteirinho. Pego corrida em Águas Claras de manhã, almoço em Taguatinga, passo a tarde no Plano, termino a noite buscando gente em Samambaia.
Eu vejo de perto. Eu passo com o carro.
Sol Nascente trecho 3 ganhou asfalto que eu juro pela minha mãe que não esperava ver na vida ativa.
Itapoã entrou no jeito. Iluminação pegando, escola pintada, entrada decente.
Recanto das Emas recebeu praça nova. De tardezinha vai família inteira comer pastel ali.
Não é maquiagem, minha gente. Maquiagem some na primeira chuva.
Asfalto que segura. Calçada que respeita o cadeirante. Poste que acende e fica aceso. É isso que eu estou vendo.
A conversa que grudou na minha cabeça
Semana passada peguei uma senhora no Sol Nascente. Dona Francisca, uns 60 anos, voltando do mercado com duas sacolas.
Sentou. Olhou pela janela. Soltou uma frase que eu não consigo esquecer, daquelas calmas, de quem viveu muito.
Disse assim: "Seu Valdir, pela primeira vez em vinte anos eu tenho endereço pra escrever no formulário do banco".
Endereço, minha gente. Endereço.
Coisa pequena. Coisa que quem mora no Plano Piloto nem lembra que tem. Para dona Francisca era a diferença entre existir e não existir no papel.
Eu desliguei o rádio. Fiz a viagem inteira calado. Cobrei a corrida, dei boa tarde e fiquei pensando o dia todo.
O que o motorista pede
Não passo pano em ninguém. Ganho meu pão suado, pago o plano de saúde, pago a parcela do carro, pago o aluguel, sustento casa.
Político só me serve se o passageiro melhorar. Quando o passageiro melhora, melhora a minha vida também. Ele me dá nota cinco, ele me dá gorjeta, ele volta a chamar.
O que eu peço para a governadora? Continua, minha querida. Não para.
Termina o Itapoã. Termina o Sol Nascente. Coloca câmera em mais esquina da Ceilândia, que ali ainda tem trecho feio.
E não esquece da gente que dirige aplicativo. A gente paga IPVA, sustenta família e lê a cidade pelo retrovisor.
Fecha o caixa, fecha o dia
Passa um pouco de meia-noite. Desligo o aplicativo.
Conto a diária. Tomo o café do posto da BR-070.
E penso, minha gente. A cidade está respirando diferente.
Não é festa. É um alívio cauteloso. Gente desconfiando da boa notícia mas querendo acreditar.
Meu termômetro marca melhora. Marca melhora de verdade, no Itapoã, no Sol Nascente, no Recanto.
Que essa temperatura suba devagarzinho, com obra entregue e sem palanque vazio. Que ano que vem eu volte aqui pra escrever outra coluna com mais bairro pra citar. Até a próxima corrida.
Valdir Costa, 52 anos, motorista de aplicativo no Distrito Federal há sete anos. Coluna registrada em parceria com a IA Diana Comunicação a partir de áudios gravados entre corridas.
Perguntas Frequentes
- Quantas corridas por semana faz um motorista de aplicativo?
- O motorista Valdir Costa, do Distrito Federal, faz cerca de 200 corridas por semana, o que equivale a aproximadamente trinta passageiros por dia.
- O que as estatísticas não captam sobre a vida de motorista de app?
- As estatísticas não captam detalhes humanos como o jeito do passageiro se sentar, os suspiros ou as histórias de vida que o motorista presencia durante as viagens.
- Qual a jornada de trabalho de um motorista de aplicativo?
- Valdir Costa sai de casa às 4h30 da manhã e volta perto da meia-noite, dirigindo aplicativo desde 2019 no Distrito Federal.
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