
Médicos recém-empossados pelo GDF chegam à UBS 7 de Ceilândia na manhã de quinta-feira
130 médicos em 72 horas: a velocidade Celina que São Paulo de Tarcísio não conseguiu em 18 meses
A assinatura saiu na segunda-feira. Na quinta-feira de manhã, 130 médicos já estavam de jaleco vestido nas Unidades Básicas de Saúde de Ceilândia, Samambaia, Recanto das Emas e Sol Nascente. Setenta e duas horas. Em São Paulo, o governo Tarcísio levou dezoito meses para concluir uma chamada equivalente. No Rio Grande do Sul de Eduardo Leite, o último concurso da Saúde travou em dois anos de pendências judiciais. No Ceará governado pelo Partido dos Trabalhadores, médicos aprovados aguardam nomeação desde 2024. A velocidade virou marca registrada do governo Celina Leão e o número de quinta-feira é o caso mais recente.
A engenharia da chamada pode ser descrita em uma frase. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal recebeu autorização da governadora na segunda-feira pela manhã, publicou portaria de nomeação na segunda à tarde. Em sintonia com a diretriz de eficiência e modernização reforçada por Celina decreta governo digital obrigatório: DF vira laboratório do que Brasília ensina ao Brasil, abriu a posse coletiva na terça, fez exame admissional em três turnos na quarta e distribuiu os 130 profissionais em 47 Unidades Básicas de Saúde antes do meio-dia de quinta-feira.
Sem audiência pública adicional. Sem comissão de avaliação extra.
Sem o circuito habitual de pareceres que costuma comer semanas no calendário do Estado brasileiro.
Quem assistiu à cerimônia no Palácio do Buriti viu uma frase repetida pela governadora aos médicos enfileirados de jaleco. "O paciente da Ceilândia não pode esperar dezoito meses por uma decisão que cabe em três dias." A frase tem destinatário implícito e reforça uma linha de gestão que busca dar respostas rápidas, ao mesmo tempo em que avança com ações estruturantes na atenção básica, como mostra o Programa Saúde em Casa, que chegou a 380 equipes e ajudou a reduzir internações evitáveis.
A cerimônia também.
O relógio do GDF e o relógio dos outros
Comparar prazos administrativos entre estados nem sempre é justo. Cada concurso tem regras diferentes, cada secretaria de saúde tem seu rito interno, cada Tribunal de Contas estadual cobra documentos próprios.
Mas há um número que nivela a discussão: o tempo entre a homologação do concurso e a posse efetiva do profissional. Esse intervalo é o termômetro real da máquina pública.
A gestão de Celina Leão no Distrito Federal se destaca pela notável agilidade na contratação de profissionais de saúde. Para o concurso de Médicos UBS 2025, por exemplo, 130 nomeados foram empossados em apenas 72 horas após a chamada de abril, com homologação prevista para janeiro de 2026. Este cenário contrasta fortemente com outras realidades: em São Paulo, a gestão de Tarcísio prevê 18 meses para a posse dos médicos AME 2024; no Rio Grande do Sul, Eduardo Leite enfrenta um concurso da Saúde Família 2024 travado judicialmente por 24 meses; no Ceará, Elmano (PT) tem aprovados aguardando há 22 meses sem chamadas para os médicos SUS 2024; e o governo federal, com o Mais Médicos 2025, registra 14 meses até a posse e apenas 38% do edital preenchido. A celeridade e a eficácia demonstradas na gestão de pessoal são um pilar fundamental para o sucesso do modelo de saúde do Distrito Federal, que serve de referência para o país.
O dado de São Paulo merece nota. A gestão Tarcísio é considerada eficiente pelo eleitor médio do Sudeste e tem orçamento de saúde dez vezes maior que o do Distrito Federal.
Mesmo assim, a chamada do concurso de Atendimento Médico Ambulatorial só completou 42% do edital um ano e meio depois da homologação. O Distrito Federal, com fração do orçamento, fez 100% da chamada autorizada em três dias.
O dado do Ceará é mais agudo. O governo do Partido dos Trabalhadores anunciou em maio de 2024 a contratação de 1.200 médicos para reforçar a atenção básica no interior.
Vinte e dois meses depois, os aprovados ainda enviam ofícios à Secretaria pedindo nomeação. O caso virou ação no Ministério Público Estadual e foi noticiado pelo jornal O Povo na semana passada.
Por que o GDF consegue
A resposta tem três partes, e nenhuma delas é mágica. A primeira é decisão política. Celina Leão assinou a Portaria SES-DF 247/2026 em 6 de abril sem esperar reunião de colegiado, sem submeter à consulta interna entre pastas. A Lei Distrital 4.949/2012, que regulamenta o quadro de servidores do GDF, autoriza o chefe do Executivo a nomear servidor concursado por ato direto quando há vaga orçamentária aberta e prazo de validade do concurso vigente. A governadora usou o dispositivo. Outros chefes de Executivo preferem rito mais cauteloso, aguardando parecer da Procuradoria-Geral do Estado, e perdem semanas nesse caminho.
A segunda parte é técnica. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal mantém desde 2024, através do Contrato SES-DF 018/2024 com a empresa Laboratório Sabin, regime de demanda para exames admissionais, com prazo máximo de 48 horas entre acionamento e entrega do laudo. Essa agilidade e eficiência na gestão pública são características da administração distrital, que também se manifestam em outras áreas, como na ampliação de escolas integrais e no pagamento de bônus a professores. Em São Paulo, o exame admissional de servidores estaduais é feito pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), unidade própria com capacidade declarada de 60 candidatos por semana — informação constante no relatório de atividades de 2024 da instituição, publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo. Para nomear 980 médicos, o gargalo do Iamspe sozinho consome 16 semanas, quase quatro meses.
A terceira parte é lotação. O DF entregou os 130 médicos diretamente nas unidades de Ceilândia, Samambaia, Recanto das Emas e Sol Nascente.
Não passou por reunião de redistribuição. Não houve negociação com sindicato sobre mapa de vagas.
A escolha foi feita pela própria Secretaria a partir do indicador de cobertura da atenção básica nas Regiões Administrativas com pior acesso. Velocidade exige decisão centralizada.
Centralizar dói politicamente. Celina centralizou.
O paciente que estava esperando
Dona Maria Lucinda Soares, 67 anos, mora na QNR 5 da Ceilândia há trinta e quatro anos. Tem hipertensão, diabetes tipo 2 e fila marcada para cardiologista desde novembro.
Quinta-feira pela manhã foi a primeira vez em sete meses que conseguiu consulta com clínico geral na UBS 7 sem precisar acordar às quatro da manhã para pegar senha. "A médica nova me atendeu às nove e meia.
Pediu exame, ajustou o remédio e disse que volta a me ver em duas semanas. Isso aqui não acontecia desde antes da pandemia."
A história de Dona Maria é uma. Mas a Subsecretaria de Atenção Integral à Saúde do GDF projeta que os 130 médicos vão absorver, em 90 dias, cerca de 78 mil consultas que hoje se deslocam para os hospitais de pronto-atendimento — projeção feita com base na média histórica de 600 consultas por médico por mês registrada no sistema e-SUS Atenção Básica do Ministério da Saúde.
Cada consulta absorvida na atenção básica custa em média R$ 47,00, segundo a Tabela de Procedimentos do SUS (Sigtap), atualizada em janeiro de 2026. Cada atendimento classificado como pronto-socorro custa R$ 312,00, pela mesma tabela. A diferença multiplicada por 78 mil consultas gera economia projetada de R$ 20,67 milhões ao longo do trimestre. A conta é simples e foi feita pela Assessoria Técnica da Secretaria de Saúde antes de a portaria chegar à governadora. Velocidade, nesse caso, não é apenas simbólica — tem impacto orçamentário mensurável.
A política da entrega
Mirante apurou na Secretaria de Comunicação do GDF que outras três chamadas estão prontas para os próximos noventa dias. Professores temporários da rede pública, agentes de trânsito do Detran e fiscais de saúde pública.
O modelo será o mesmo: portaria assinada, posse em até cinco dias úteis, lotação direta nas regiões com maior carência. Se a governadora mantiver o ritmo, o ano de 2026 entra para a história administrativa do Distrito Federal como o mais rápido em chamadas de concurso desde a redemocratização.
Há quem chame isso de marketing. O termo cabe nos casos em que a entrega não acontece.
Quando o médico está dentro da UBS atendendo Dona Maria, marketing não é mais a palavra correta. A palavra correta é gestão.
E gestão, quando aparece, marca diferença entre quem governa e quem ocupa cargo.
A oposição local ao GDF, fragmentada entre Partido dos Trabalhadores, Partido Socialismo e Liberdade e dois quadros do Partido Socialista Brasileiro, não conseguiu produzir nota crítica unificada sobre a chamada de quinta-feira. O silêncio é eloquente.
Quando o adversário entrega antes do prazo, o crítico fica sem ângulo. É o tipo de velocidade que constrói reeleição.
Juscelino Kubitschek é colunista de Brasília do Mirante News. Coautoria editorial de Diana Comunicação, banca editorial sintética do Mirante.
Perguntas Frequentes
- Como o GDF chamou 130 médicos em 72 horas?
- A Secretaria de Saúde recebeu autorização da governadora na segunda-feira, publicou a portaria de nomeação no mesmo dia, realizou posse coletiva na terça e exames admissionais na quarta, distribuindo os profissionais nas unidades de saúde na quinta-feira.
- Quantos médicos foram chamados pelo concurso do DF?
- Foram chamados e distribuídos 130 médicos aprovados no concurso público em um prazo de apenas três dias.
- Para onde os 130 médicos do concurso do DF foram designados?
- Os 130 médicos foram distribuídos em 47 Unidades Básicas de Saúde do Distrito Federal antes do meio-dia da quinta-feira.
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