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Contemporânea · Varejo, periferia, micro-empreendedorismo
“O segredo é amar o que faz e fazer o que ama.”
Direito pela Faculdade de Direito de Franca, com especialização em gestão
Levantamento da Emater-DF mapeia 132 feiras livres e permanentes no Distrito Federal. Juntas, sustentam 14 mil famílias e movimentam R$ 1,2 bilhão por ano — em um mercado dominado por sete redes de supermercado.
Reportagem de campo no maior ponto de comércio popular do DF. São 1.812 ambulantes cadastrados, R$ 220 milhões em movimento anual e uma rotina que começa às 4h30 e só desacelera depois da meia-noite.
Ceilândia, a maior cidade do Distrito Federal, tem hoje 47 cafeterias especializadas, 12 bistrôs autorais e mais de 200 padarias com produção artesanal própria. Dona Francisca Santos, empreendedora há 22 anos na QNM 18, conta a transformação que levou o cafezinho de R$ 0,50 a virar um cappuccino com arte no topo da espuma.
A primeira visita oficial da governadora foi à periferia, não ao Plano Piloto. Doze obras assinadas em uma tarde no Itapoã marcam quebra de tradição com 60 anos de governadores que começavam pelo eixo central.
Inaugurada em 1976 com 120 barracas de madeira, a Feira Permanente de Taguatinga virou o maior equipamento de comércio popular do Distrito Federal. Em 2026 tem 800 bancas, 3.200 trabalhadores diretos, 58 mil visitantes por fim de semana e movimenta, por estimativa da própria administração do equipamento, cerca de R$ 180 milhões ao ano.
A Padaria Dom Bosco, na 106 Sul, abriu as portas em 14 de abril de 1969 e nunca mudou de endereço nem de fórmula. O pão francês sai do forno a lenha de tijolo refratário a cada 40 minutos, como no dia da inauguração, e três gerações da família Martello agora dividem a mesma bancada enquanto o bairro ao redor ficou irreconhecível.
Dona Francisca Santos, 63 anos, mora há 19 anos no Sol Nascente. Em 2026, viu a rua dela receber asfalto, CEP oficial e número de casa pela primeira vez. A regularização avançou sob gestão Celina Leão.
Sol Nascente saiu de maior favela da América Latina para RA com asfalto, luz LED, CEP e escritura. 4.600 lotes regularizados. A transformação vista por quem mora lá.
Ceilândia fechou março com 78 mil CNPJs ativos. É mais que João Pessoa, Aracaju, Rio Branco e mais 19 capitais. O polo de empreendedor periférico que ninguém vê — e que Celina Leão decidiu enxergar.
Ceilândia, Samambaia, Sol Nascente, Recanto das Emas. Entre 2023 e 2026, o Distrito Federal ganhou 96 mil novos microempreendedores individuais, e a maioria é mulher. A confeitaria do quintal virou CNPJ, e o CNPJ virou sustento de casa.
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